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A criança senta em "W". O que fazer?

04/01/2019

A posição em W é aquela na qual a criança (mais comumente entre 3 e 6 anos) senta com os quadris voltados para dentro e as perninhas ao lado do corpo, para fora (conforme a foto).

Se é saudável sentar desta forma ou não, é um assunto delicado, geralmente dividindo as pessoas.

Na verdade, não existe, até o momento uma resposta definitiva para a questão.

A recomendação atual é mais baseada na opinião de especialistas, do que em volumosa produção científica.

 

Os que recomendam evitar a posição, o fazem por acreditar que sentar em W pode, entre outros:

  • Aumentar o estresse sobre as articulações dos quadris, piorando situações como a displasia do desenvolvimento dos quadris;
  • Inibir o desenvolvimento normal da criança, impedindo a correção da anteversão do fêmur;
  • Reduzir a força do tronco/core, por ser uma posição mais cômoda e que trabalha menos a musculatura;
  • Favorecer a ocorrência de contraturas musculares.

 

Por outro lado, há especialistas que afirmam não haver evidências sobre as afirmações. De fato, o acompanhamento de diversas crianças com o hábito de sentar em "W" não revelou piora no desempenho dos aspectos acima. A correção natural da anteversão femoral ocorre, geralmente, até os 11 anos e não há comprovação de que a posição em W tenha impedido a sua ocorrência. Além disso, estudos sobre recrutamento muscular (envolvendo potencial de ação documentado por eletroneuromiografia) não mostraram diferenças entre esta e outras posições adotadas por diversas crianças.

A minha opinião pessoal é a de que a criança com este hábito deve ser acompanhada de perto por ortopedista, com o objetivo de verificar se o desenvolvimento está ocorrendo da maneira esperada. Em um primeiro momento, não se deve assustar os pais nem exigir que eles retirem o hábito da criança a qualquer custo, por vezes forçando a criança e piorando a relação entre pais e criança. No entanto, caso surjam sinais de alerta (como a marcha com os pés voltados para dentro persistente, ou seja, após a idade de 12 anos), limitações do desenvolvimento e a criança não alcance marcos esperados para o desenvolvimento, uma intervenção deverá ser planejada.

 

 



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